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	<title>Psicanálise e Cuidado Social</title>
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	<description>Psicologia Social e Comunitária, Ética e relacionamentos, Políticas públicas, Saúde e bem-estar</description>
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		<title>Política</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 02:21:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ded</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este é o começo de um texto de minha autoria. O link ao final conduz até a versão completa. Comentários serão bem-vindos. Arnold Toynbee foi um renomado historiador britânico, que morreu dois anos depois de eu nascer. Antes, porém, deixou uma daquelas frases que muda a nossa visão das coisas. A minha visão das coisas, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=79&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este é o começo de um texto de minha autoria. O link ao final conduz até a versão completa. Comentários serão bem-vindos. </em></p>
<p>Arnold Toynbee foi um renomado historiador britânico, que morreu dois anos depois de eu nascer. Antes, porém, deixou uma daquelas frases que muda a nossa visão das coisas. A minha visão das coisas, pelo menos. Ele disse:</p>
<p>&#8220;O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”.</p>
<p>Eu costumava fazer parte do primeiro grupo. Por isso, a tal frase me pegou pelo nariz. Minha relação com a política sempre foi aproximadamente igual à minha relação com um prato de comida podre. A gente sabe, visceralmente, que aquilo cheira mal. Falta estômago. Que se vai fazer, contudo, diante de uma afirmação como essa?</p>
<p><a href="http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=12588" target="_blank">Continua&#8230;</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cuidadopsicossocial.wordpress.com/79/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=79&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">ded</media:title>
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		<title>Sobre o filme &#8220;O Filho do Brasil&#8221;</title>
		<link>http://cuidadopsicossocial.wordpress.com/2009/11/28/sobre-o-filme-o-filho-do-brasil/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 Nov 2009 22:36:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ded</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ANÁLISE Os filhos do Brasil &#160; &#160; &#8220;Lula, o Filho do Brasil&#8221;, do diretor Fábio Barreto, que narra a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva CÉSAR BENJAMIN ESPECIAL PARA A FOLHA &#160;  A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=77&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ANÁLISE</p>
<h2>Os filhos do Brasil</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8220;Lula, o Filho do Brasil&#8221;, do diretor Fábio Barreto, que narra a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva</p>
<p>CÉSAR BENJAMIN ESPECIAL PARA A FOLHA</p>
<p>&nbsp;</p>
<p> A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de &#8220;boi&#8221;; a única água disponível era a da descarga do &#8220;boi&#8221;. Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade. Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano. Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que &#8220;estavam pedidos&#8221; pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: &#8220;O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal&#8221;. Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite. Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes -&#8221;sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio&#8221;, para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar. A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos. Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, &#8220;de alta periculosia&#8221;, como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile. Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês. Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de &#8220;provas de fogo&#8221;, situações armadas para testar a firmeza de cada novato. Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a &#8220;língua de congo&#8221;, o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo. Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles. Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor. Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação. Lembro-me com emoção -toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado- do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é &#8220;sujeito-homem&#8221; e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar. Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura. Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora.</p>
<p>São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha. Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato. Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço. Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: &#8220;Você esteve preso, não é Cesinha?&#8221; &#8220;Estive.&#8221; &#8220;Quanto tempo?&#8221; &#8220;Alguns anos&#8230;&#8221;, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: &#8220;Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta&#8221;. Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de &#8220;menino do MEP&#8221;, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do &#8220;menino&#8221;, que frustrara a investida com cotoveladas e socos. Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o &#8220;menino do MEP&#8221; nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram. O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.</p>
<p>Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal &#8220;O Dia&#8221;. A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto. Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade. Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: &#8220;Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!&#8221; Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada. A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o &#8220;menino do MEP&#8221;. Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos. O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos. Mesmo assim, não pretendo assistir a &#8220;O Filho do Brasil&#8221;, que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Sobre a Reforma Psiquiátrica</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Oct 2009 14:59:17 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Caros alunos, para vocês acompanharem. Para mais informações, visitem o site do nosso Conselho: www.crpsp.org.br . 9 de outubro de 2009     Marcha em Brasília reúne cerca de mais de 2 mil usuários     No último dia 30 de setembro, a Capital Federal foi “invadida” por cerca de 2 mil pessoas de 20 [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=71&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Caros alunos, para vocês acompanharem. Para mais informações, visitem o site do nosso Conselho: </em><a href="http://www.crpsp.org.br">www.crpsp.org.br</a> .</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td align="right" valign="top"><strong>9 de outubro de 2009</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td> </td>
<td> </td>
</tr>
<tr>
<td>
<p align="center"><strong>Marcha em Brasília reúne cerca de mais de 2 mil usuários </strong></p>
</td>
<td> </td>
</tr>
</tbody>
</table>
</td>
</tr>
<tr>
<td> </td>
</tr>
<tr>
<td align="left">No último dia 30 de setembro, a Capital Federal foi<strong> “invadida” por cerca de 2 mil pessoas de 20 Estados que se encontraram para a “Marcha dos Usuários a Brasília pela Reforma Psiquiátrica Antimanicomial”.</strong> O movimento foi protagonizado por entidades e associações de usuários de serviços de saúde mental, técnicos da rede de serviços, amigos e familiares de todo o Brasil. O CRP SP também esteve presente, partindo de São Paulo com quatro ônibus lotados, que saíram da sede, na Capital, e das Subsedes de Santos, passando pelo Grande ABC, de Campinas e de Ribeirão Preto, com usuários e representantes de diversas entidades, além do Conselho.A iniciativa foi uma resposta às<strong> forças contrárias à Reforma Psiquiátrica Brasileira</strong>, que, em movimento organizado, têm promovido uma verdadeira campanha, principalmente na mídia, contra o SUS e as conquistas da Luta Antimanicomial. Nesse trabalho, a opinião pública acaba negativamente influenciada contra os avanços da Reforma Psiquiátrica. O objetivo era fazer com que a voz do usuário fosse ouvida, que suas opiniões fossem consideradas. Na bagagem dos manifestantes, organizados em diversas associações, estavam a defesa do SUS, a reforma psiquiátrica com a participação dos usuários e fortalecimento de sua organização política e a efetiva implantação do Programa De Volta Para Casa.</p>
<p>Foi um dia que contou com diversas atrações culturais e uma agenda de audiências com autoridades federais, incluindo um debate na Câmara dos Deputados. Uma comissão, recepcionada no Gabinete da Presidência da República, recebeu do chefe de gabinete Gilberto Carvalho a promessa de que o governo convocará para 2010 a IV Conferência da Saúde Mental, outra reivindicação das diversas entidades que sustentam esta bandeira no Brasil.<br />
<strong><br />
Veja mais sobre a Marcha, seu histórico, a repercussão, no site <a rel="nofollow" href="http://marchadosusuarios.blogspot.com/" target="_blank">http://marchadosusuarios.blogspot.com</a>. </strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>Sobre a morte e o luto</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Oct 2009 14:21:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ded</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A matéria abaixo saiu na Revista da Cultura [associada à Livraria Cultura]. Está disponível em http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc27/index2.asp?page=capa . A linguagem do texto, um pouco  extravagante, me inspira reserva. Apesar disso, o artigo passeia por temas, ideias, profissionais e situações interessantes, especialmente relevantes para a nossa área. Por isso, reproduzo:   HORA DA DESPEDIDA VEJA ALGUMAS DAS DIFERENTES FORMAS DE DAR ADEUS A ENTES [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=65&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>A matéria abaixo saiu na Revista da Cultura [associada à Livraria Cultura]. Está disponível em <a href="http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc27/index2.asp?page=capa">http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc27/index2.asp?page=capa</a> . A linguagem do texto, um pouco  extravagante, me inspira reserva. Apesar disso, o artigo passeia por temas, ideias, profissionais e situações interessantes, especialmente relevantes para a nossa área. Por isso, reproduzo:</em></p>
<p><em> </em></p>
<h2>HORA DA DESPEDIDA</h2>
<p>VEJA ALGUMAS DAS DIFERENTES FORMAS DE DAR ADEUS A ENTES QUERIDOS DE ACORDO COM A CULTURA E A IDEOLOGIA LOCAL</p>
<p>Por FERNANDO PORTELA</p>
<p>Sabe o ente querido? Descansou. Mas a família, amigos, colegas, vizinhos, fãs e, em alguns casos, todo um extenso grupo social que com ele se relacionava, jamais se agitaram tanto. Naquele momento, era ele, ente, o grande personagem da história: fez surgir uma viúva ou viúvo; um ou mais órfãos; deixou na incerteza empregados e colaboradores; obrigou credores e devedores a recálculos; consternou relações emocionais eventualmente secretas. Desestruturou. Provocou. Sublevou. Ou trouxe a paz, em muitos casos. Por tudo isso, é preciso saber o que se fará com ele. E agir rápido.</p>
<p>TOQUES DE FADA E esse adeus mais ou menos definitivo é muito diferente de um lado do mundo para o outro, variando conforme a cultura, a ideologia, o interesse&#8230; Pode durar menos de 24 horas, assim como se estende por um ano inteiro, caso de algumas tribos indígenas brasileiras; pode custar quase nada ou milhares de dólares. O ponto em comum, universal, é que essa despedida deve ser feita, com ritual e tudo, ou nossa estrutura psicológica sofrerá muito, como acontece com as famílias daqueles que sumiram sem vestígios, por qualquer razão.</p>
<p>Vale a pena observar o que fazem os japoneses, por exemplo. O filme A partida, recentemente lançado, mostra como um corpo é preparado sob as regras da tanatopraxia, técnica de acondicionamento dos corpos cada vez mais difundida no Ocidente. Com a extrema delicadeza que caracteriza muitos aspectos de sua cultura, os técnicos japoneses manuseiam o ente como se moldassem origami. Diante da família, purificam e maquiam o corpo até torná-lo mais belo do que em vida e – por que não? – atraente. Jo Takahashi, diretor de cultura e arte da Fundação Japão, em São Paulo, não entende de morte, mas é professor de estética. Diz ele que para não ficar no plano da realidade, “que é crua e sem arte”, as pessoas se entregam às cerimônias. “E os japoneses são craques nisso.” “É preciso alavancar aquela realidade ao plano ficcional, um passaporte de sublimação das emoções. Kata é o nome que se dá às formas, às formalidades de todas as cerimônias japonesas, que vão desde a cerimônia do chá ao judô. É palavra homófona de katari, o narrador, o interlocutor, o mestre de cerimônias, ou seja, no caso da morte, do embalsamador.<br />
O noukan- shi, o embalsamador do filme A partida é, por assim dizer, um mestre de cerimônia, que prepara o corpo do falecido para uma nova partida. É ele que o veste e prepara para esta nova viagem; e a maquiagem é aquela que lhe cai bem, que eleva sua dignidade e o prepara para esta nova andança, ou seja, uma estratégia de ressurreição que só acontece no plano ficcional.” No passado, esclarece Jo, eram os familiares que se encarregavam desse trabalho. Hoje, há um “mercado da morte”, próspero e de grande profissionalismo. “Segundo a imprensa japonesa, pode gerar 20 mil dólares por cadáver.” O costume, ainda segundo Jo, “é mais forte do que o fato da morte em si, que é fato consumado. O cerimonial continua gerando vida, economia, empregos, ilusão, ficção e é o que parece importar, de fato, aos que ainda estão vivos.”</p>
<p>PEGAR E BEIJAR Mas vamos sair um pouco da estética – enfim distante – e encarar a latinidade. Nesse caso, peninsular, emotiva, gestual. O psicanalista italiano Contardo Calligaris, falando sobre o trato do morto no Brasil, estranha um pouco a extrema rapidez com que o “problema” é resolvido por aqui. “O velório é rápido demais. Quem leva a culpa é o clima. São desculpas.” O enterro, então, é num já, ele acha. E aí Contardo volta à Itália, aos lutos que testemunhou em família. “Não me lembro de menos de 48 horas de vigília diante do morto. Eu sempre consegui me despedir de todos os membros da família que se foram. O velório era feito no quarto da pessoa – ou melhor, em cima da cama. O corpo era lavado pelos mais próximos. Com um pano úmido, em geral perfumado. Se fosse homem, era vestido com seu melhor terno e sapatos; camisa social e gravata. Não se compara ao belo ritual de A partida nos cuidados do toque no corpo. Mas eu tocava. Mais do que isso: beijava os meus mortos.”</p>
<p>O psicanalista lembra algo mais ou menos óbvio de que talvez não tenhamos dado conta, já que nossas recordações de velórios são muito doídas ou constrangidas. “Quando está sendo velado, o morto ‘ainda não’ partiu. Só vai mesmo à hora de fechar o caixão. É por isso que o rito – e o tempo dele, sobretudo – é tão importante. No Brasil, a despedida está sendo transferida para a frente, para o futuro. Não sei se funciona. Acredito que não.” Contardo vai além da cerimônia final de despedida. Acredita que o luto é mais bem trabalhado quando a memória do que se foi é estimulada por fotografias espalhadas pela casa, além de objetos que pertenceram ao finado. “Ele estará associado ao passado e é mais saudável que não se tenha medo do passado.”</p>
<p>O psicanalista também acha estranho que as pessoas sintam medo dos mortos. Dos seus e dos outros. Os falecidos voltariam para nos assustar. Ora, ora. “Eu adoraria que minha mãe e meu pai voltassem. Por que uma ideia assim é aterrorizante? Deveria ser prazeroso conversar com eles. No entanto, o medo é maior. Bem. Haveria explicações antropológicas para esse pavor. Os estruturalistas diriam que a oposição vida versus morte é forte demais. Será?”</p>
<p>TANTA ALEGRIA, QUANTO RISO A Itália repete, com maior intensidade, o que ocorre em toda a Europa rica. A tradição suíça, por exemplo, mantém o corpo na casa, mais precisamente na sala, durante três dias. (Hoje, há velórios profissionais, mas ainda não é a regra). O clima ajuda tão longa exposição. As pessoas vão e vêm. Beliscam um salgadinho, tomam um vinho. Alguns ficam mais tempo. O vinho sobe à cabeça. De repente, uma risada. Outra e mais outra. Não há desfeita. Se não gostassem do morto e não o respeitassem, não estariam ali. Outra forma de dar adeus ao ente querido é a sala hiperrefrigerada do hospital onde o corpo permanece à disposição dos visitantes, com hora marcada. Nesse caso, há quem fique uma semana. Vinho e acepipes. Um choro aqui e ali. Haverá risos contidos também. Após o enterro ou cremação, algumas famílias recebem a parentela e os amigos para jantar (ou jantares) em homenagem ao viajor. O(s) evento(s) pode(m) ocorrer na casa ou em espaços ecumênicos. Sempre obedecendo a uma natural hierarquia: no caso de vários jantares, primeiro são recebidos os familiares mais próximos e amigos muito íntimos; depois, os conhecidos. O convite é feito em papel nobre com letra trabalhada. Pessoal e intransferível. Nessas ocasiões, pode-se diversificar a oferta de bebidas e sem a presença teoricamente inibidora do falecido, os sorrisos, risos, aplausos, brindes e até vivas são bastante comuns. Mais uma vez, não há o menor desrespeito. Claro que a extensão das despedidas com bufê depende das posses da família. Sem poder aquisitivo, ficaríamos apenas com os petits fours e um vinhozinho – álcool não pode faltar.</p>
<p>Na Europa nem tão rica, como em uma igreja ortodoxa nos arredores de Moscou, quem não conhece os costumes e olha de longe, pode imaginar a ocorrência de uma feliz reunião no templo. As pessoas se vestem com muitas cores e entoam cânticos de quase alegria. As babuchkas, então, parecem exuberantes nos seus trajes típicos. O visitante, tentando descobrir qual é a cerimônia, pode entrar na igreja e acabar tocando no caixão do ente querido. Ele ainda observará que ninguém usa preto. Ali não existe tragédia. E até a tristeza se disfarçou de sortilégio.</p>
<p>UMA REFEIÇÃO CERIMONIAL Trabalhar os mortos é especialidade de índio. Quem não viu e reviu filmes sobre o Quarup, a festividade que acontece em várias tribos da região do Alto Xingu, entre julho e setembro, todos os anos? É um evento coletivo em que todos os mortos do período são chorados e homenageados. A preparação da prática leva 15 dias para juntar alimentos e preparar objetos. Participam centenas de índios. Há danças e lutas corporais, saudando os convidados.</p>
<p>O Quarup é a cerimônia fúnebre mais plástica e teatral de todas, mas está longe da dramaticidade do ritual fúnebre dos antigos Pakaa- Novas, índios de Rondônia e da nossa fronteira com a Bolívia. Até os anos 1960, quando ocorreu o primeiro contato com os brancos, os Pakaa-Novas, também conhecidos como Wari, comiam seus mortos. Literalmente. Aliás, para o Pakaa-Novas, a morte era um processo. Se o futuro manjar estivesse muito doente, iniciavam-se os cantos fúnebres, quando os parentes lembravam, chorosos, os feitos do enfermo. Ocorrido o desenlace, o corpo era separado em pequenos e delicados pedaços, sendo imediatamente moqueados e servidos, acompanhados de porções discretas de algo próximo a pamonha assada. Os parentes mais distantes iniciavam o ágape. Delicadamente. Nada de pegar o alimento com as mãos e muito menos de abocanhá-lo sem modos, como se fosse caça qualquer. Deveria ser espetada em pauzinhos e levada à boca com polidez, urbanidade. Após o rancho, todos os parentes iniciavam um trabalho bastante criativo: transformar, fisicamente, a fachada e a organização interna da casa do morto, além dos locais que ele gostava de visitar. Tudo isso para que o espírito se confundisse, caso caísse na tentação de voltar à Terra. A “pacificação” da tribo, há 40 anos, fez com que, hoje em dia, os Pakaa-Novas apenas enterrem seus mortos. Os jovens da tribo parecem conformados com costume tão pobre, mas os índios velhos consideram isso a maior falta de respeito.</p>
<p>QUEM TEM MEDO DESTE ASSUNTO? Preconceito com este tema? Nem tanto. Hoje, temos na praça uma psicóloga superespecialista em morte, Maria Helena Pereira Franco. Ela é professora de graduação na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) – a disciplina chama-se “Morte e Luto” –, além de ministrar, na pós-graduação, a matéria “Pesquisa e Clínica do Luto”. A psicóloga foi a primeira brasileira a ostentar o título de doutora em Psicoterapia de Pessoas Enlutadas. Não é pouco. Mas não foi fácil no começo; é que, no Brasil, não havia literatura sobre o assunto. Aí, Maria Helena foi para a Inglaterra. E descobriu o St. Christopher’s Hospice, ou seja, o futuro do setor. Lá, também conheceu seu mentor, o psiquiatra Colin M. Parkes, de quem é tradutora exclusiva no Brasil. O St. Christopher’s Hospice é um centro de referência em cuidados paliativos. Lá, os enfermos graves são atendidos por equipes multiprofissionais que se dedicam a minorar todas as dores, físicas ou psíquicas, dos próprios doentes e de seus familiares. Porque, na verdade, o luto começa muito antes do óbito. E nem todo luto tem a ver com um óbito real, segundo a doutora Maria Helena.</p>
<p>Numa entrevista à repórter Janete Leão Ferraz, da revista Isto É, a psicóloga respondeu assim à pergunta sobre outras perdas – além da morte – que provocam luto: “Toda perda gera luto. O divórcio, a aposentadoria, a imigração, a mutilação, o aborto, a menopausa, a impotência.” Bem. Aborto, mutilação, divórcio fazem sentido. Mas&#8230; imigração? Maria Helena emendou: “As pessoas chegam a um novo lugar, perdem suas raízes, sua identidade e sua independência.” (Seguindo esse raciocínio, “mortos” também estariam os pais que são afastados de seus filhos por iniciativa de um dos cônjuges – acontecimento cada vez mais comum entre nós, em todo o país. Os filhos, sobretudo eles, estão, aos pedaços, nos depoimentos do documentário A morte inventada – Alienação parental, dirigido por Alam Minas. A chamada &#8220;síndrome de alienação parental&#8221; ocorre quando um cônjuge resolve programar sua própria criança, de quem tem a guarda, para odiar o outro genitor, “matando-o” em sua mente. É mesmo um verdadeiro assassinato. Falsas memórias são implantadas nos pequenos, inclusive com mentiras a respeito de abusos sexuais que jamais ocorreram. As crianças, no entanto, são de tal forma manipuladas que chegam a confirmar a falsa violência diante de qualquer juiz. A maioria dos juízes, por sinal, diante de denúncia tão grave, afasta imediatamente a criança do cônjuge acusado. Pode até desconfiar de calúnia. Mas, se for verdade?</p>
<p>É a “morte” de luto mais complexo, até porque a criança – órfã de pai ou mãe vivos – também “morre”. Anos depois, surgirá como um insano qualquer, abusador, manipulador. Um morto-vivo. O conceito de morte e luto, portanto, podem ser bem mais extensos e, seguramente, muito mais dolorosos. C omo diz Maria Helena, “a morte é um processo e não se deve dar atenção apenas à sua hora”. O fato é que não sabemos, ainda, como enfrentá-la com a necessária serenidade. Estamos falando da morte em si, independentemente do credo que se tenha. Segundo a psicóloga, até alguns profissionais de saúde, incluindo médicos, não vivem hoje o pós-moderno, mas o póshumano. Parecem confiar exclusivamente na tecnologia (leia-se máquinas) para o trato de pacientes terminais. Por isso, encaram o morrer como um imenso fracasso. Deles, que não tiveram capacidade de salvar o paciente; e do morto, incapaz de reagir à sua medicação. A morte, no entanto, não traz fracasso. Nem punição. Nem nada. Deve-se apenas realizar o luto, em paz e sem pressa. A vida descontinua.©</p>
<p><em>Além do filme japonês citado, </em>A Partida, <em>que ainda não vi, lembrei-me de outro. Trata-se de </em>Filadélfia<em>, com Tom Hanks. Já assistiram? O filme, no final, retrata uma situação de luto e despedida, na forma típica em que acontecem na cultura americana. Será interessante verificar como esta situação lá é vivida de modo diferente do que acontece por aqui.</em></p>
<p>andré</p>
<p> </p>
<div><em> </em></div>
<p><em> </em></p>
<p> </p>
<p><em></em> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="alignnone" title="Filadélfia, o filme" src="http://user.img.todaoferta.uol.com.br/S/X/RF/ACSV9G/bigPhoto_0.jpg" alt="" width="280" height="280" /></p>
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			<media:title type="html">Filadélfia, o filme</media:title>
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		<title>Winnicott e o Prof. Gilberto Safra</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 23:42:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ded</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O professor G. Safra foi e é uma referência importante na minha formação. Na última aula da turma de sexta-feira, fiz menção ao trabalho dele de forma mais explícita. Isso despertou o interesse de alguns alunos. A Gabi Siqueira me pediu indicações. Por isso, reproduzo para quem interessar endereço de um site que diponibiliza, para venda, cursos, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=61&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" title="Prof. Gilberto Safra" src="http://www.ip.usp.br/docentes/iamsafra/Gilberto-Safra.jpg" alt="" width="240" height="160" />O professor G. Safra foi e é uma referência importante na minha formação. Na última aula da turma de sexta-feira, fiz menção ao trabalho dele de forma mais explícita. Isso despertou o interesse de alguns alunos. A Gabi Siqueira me pediu indicações. Por isso, reproduzo para quem interessar endereço de um site que diponibiliza, para venda, cursos, aulas e palestras, além dos livros dele. Trata-se de um material precioso. Dêem uma olhada:</p>
<p><a href="http://www.livrariaresposta.com.br/v2/index.php?tipo=2">http://www.livrariaresposta.com.br/v2/index.php?tipo=2</a></p>
<p>Se tiverem alguma dúvida ou quiserem dicas de estudo, escrevam-me, ok?</p>
<p>Aproveito para agradecer o interesse e a participação de vocês, caros alunos, que muito me alegram.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cuidadopsicossocial.wordpress.com/61/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=61&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>ATENÇÃO, ATENÇÃO!</title>
		<link>http://cuidadopsicossocial.wordpress.com/2009/09/29/atencao-atencao/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 04:15:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ded</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://cuidadopsicossocial.wordpress.com/?p=57</guid>
		<description><![CDATA[: SOBRE AS PROVAS (Para as turmas de quarta, quinta e sexta-feira) Registrem e espalhem entre todos os colegas de classe. Divulguem! As provas dos dias 30, 01 e 02 serão com consulta. Providenciem os textos &#8220;Ética, Morada e Saúde&#8221; (do Luís Cláudio) e &#8220;O conceito de indivíduo saudável&#8221; (de Winnicott) para a prova. Será [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=57&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong><img class="alignnone" title="as provas" src="http://2.bp.blogspot.com/_y5Kef-RleOQ/Sc0koXb9LFI/AAAAAAAAAE0/QImOTrmFc1M/s320/nervosismo.jpg" alt="" width="202" height="257" /></strong>:</p>
<p>SOBRE AS PROVAS</p>
<p>(Para as turmas de quarta, quinta e sexta-feira)</p>
<p>Registrem e espalhem entre todos os colegas de classe. Divulguem!</p>
<p>As provas dos dias 30, 01 e 02 serão <strong>com consulta. </strong>Providenciem os textos &#8220;Ética, Morada e Saúde&#8221; (do Luís Cláudio) e &#8220;O conceito de indivíduo saudável&#8221; (de Winnicott) para a prova. Será uma questão para cada.</p>
<p>Conselho de amigo: não deixem de estudar porque poderão consultar na hora. </p>
<p><strong>Além desses dois textos, já adianto a última questão da prova, de maior valor:</strong></p>
<p>“Uma ética do acolhimento apóia-se na capacidade de enxergar o outro em sua singularidade e em seu contexto. Envolve a abertura compassiva a sua fragilidade essencial, que é a nossa própria fragilidade. Neste sentido, encontramo-nos todos em comunidade de destino.</p>
<p>Só enxergando o outro para além de nossas projeções somos capazes de cuidado autêntico, de tocarmos e sermos tocados, de promover aconchego e transformação. Ao abrirmos nosso coração ao outro dessa maneira, porém, somos nós próprios os maiores beneficiados. Como o<em> cuidar</em> é uma dimensão essencial de humanização e, portanto, participa de forma decisiva na constituição subjetiva de cada um de nós, a possibilidade de abertura a essa dimensão existencial comum pode ser considerada, em si, saúde.”</p>
<p><strong>Questão 3</strong>: Releia o texto acima e responda: De que modo você imagina que um entendimento da ética e do cuidado como o expresso neste texto pode orientar a atuação profissional do(a) psicólogo(a) nas diversas instituições sociais? (<em>máx. </em>dez linhas / valor: 4,0)</p>
<p>&gt;&gt; <em>Vocês já podem ir refletindo e formulando as respostas de cada um de vocês para essa questão. Podem até discutir entre vocês. Por outro lado, ADVIRTO-OS de que espero respostas bem pessoais. Respostas bitoladas, copiadas dos textos ou muito parecidas entre dois ou mais alunos serão sumariamente desconsideradas</em>.</p>
<p>Bom estudo e boa sorte a todos!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cuidadopsicossocial.wordpress.com/57/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=57&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Piada: notícias do Celso</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 22:08:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ded</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebi esta piada por email. Achei engraçada e tudo a ver com o que estamos estudando. Por isso, aí está. NOTÍCIAS DO CELSO - Bom dia, é da recepção? Eu gostaria de falar com alguém que me desse informações sobre um paciente. Queria saber se certa pessoa está melhor ou piorou&#8230; - Qual e o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=54&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Recebi esta piada por email. Achei engraçada e tudo a ver com o que estamos estudando. Por isso, aí está.</em></p>
<p style="text-align:center;"><img class="alignnone" title="Zé Celso, apenas a título de ilustração" src="http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/foto/0,,21498468,00.jpg" alt="" width="620" height="300" /></p>
<p>NOTÍCIAS DO CELSO</p>
<p><strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">- Bom dia, é da recepção? Eu gostaria de falar com alguém que me desse informações sobre um paciente. Queria saber se certa pessoa está</span></strong></strong><br />
<strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">melhor ou piorou&#8230;</span></strong></strong><br />
<strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">- Qual e o nome do paciente?</span></strong></strong><br />
<strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">- Chama-se Celso e está no quarto 302.</span></strong></strong><br />
<strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">- Um momentinho, vou transferir a ligação para o setor de enfermagem&#8230;</span></strong></strong><br />
<strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">- Bom dia, sou a enfermeira Lourdes. O que deseja?</span></strong></strong><br />
<strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">- Gostaria de saber as condições clínicas do paciente Celso do quarto 302, por favor!</span></strong></strong><br />
<strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">- Um minuto, vou localizar o médico de plantão.</span></strong></strong><br />
<strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">- Aqui é o Dr. Carlos plantonista. Em que posso ajudar?</span></strong></strong><br />
<strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">- Olá, doutor. Precisaria que alguém me informasse sobre a saúde do</span></strong></strong><br />
<strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">Celso que está internado há três semanas no quarto 302.</span></strong></strong><br />
<strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">- Ok, meu senhor, vou consultar o prontuário do paciente&#8230; Um instante só! Hummm! Aqui está: ele se alimentou bem hoje, a pressão arterial e pulso estão estáveis, responde bem à medicação prescrita e vai ser retirado do monitor cardíaco até amanhã. Continuando bem, o médico responsável assinará alta em três dias.</span></strong></strong><br />
<strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">- Ahhhh, Graças a Deus! São notícias maravilhosas! Que alegria!</span></strong></strong><br />
<strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">- Pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, certamente da família!?</p>
<p></span></strong></strong><strong><strong><span style="font-family:Times New Roman;">- Não, sou o próprio Celso telefonando aqui do 302!<br />
É que todo mundo entra e sai da merda deste quarto e ninguém me diz porra nenhuma.<br />
Eu só queria saber como estou&#8230;..</span></strong></strong><a style="color:#ff0000;" rel="nofollow"><br />
</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cuidadopsicossocial.wordpress.com/54/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=54&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Gentileza</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Sep 2009 00:30:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ded</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo Boff]]></category>
		<category><![CDATA[Marisa Monte]]></category>
		<category><![CDATA[Profeta Gentileza]]></category>

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		<description><![CDATA[Leonardo Boff, no livro Saber Cuidar, menciona a curiosa figura do Profeta Gentileza, como exemplo encarnado do Cuidado. Quem ainda não leu, vale a pena. Especialmente agora, que o Edu (5ªf. noite) disponibilizou o link para um vídeo maravilhoso da Marisa Monte cantando uma música que fez em homenagem ao Gentileza. Até porque há imagens [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=45&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leonardo Boff, no livro Saber Cuidar, menciona a curiosa figura do Profeta Gentileza, como exemplo encarnado do Cuidado.</p>
<p>Quem ainda não leu, vale a pena. Especialmente agora, que o Edu (5ªf. noite) disponibilizou o link para um vídeo maravilhoso da Marisa Monte cantando uma música que fez em homenagem ao Gentileza. Até porque há imagens do próprio.</p>
<p>Verifiquem:</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://cuidadopsicossocial.wordpress.com/2009/09/25/gentileza/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Dny57BwrNLw/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cuidadopsicossocial.wordpress.com/45/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=45&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>&#8220;A Construtora de Ninhos&#8221;</title>
		<link>http://cuidadopsicossocial.wordpress.com/2009/09/14/a-construtora-de-ninhos/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 01:42:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ded</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://cuidadopsicossocial.wordpress.com/?p=42</guid>
		<description><![CDATA[Esta matéria saiu na Folha de SP, no ano de 2003, e é bem inspiradora.  28/01/2003 &#8211; 02h52 PAULO DE CAMARGO free-lance para a Folha de S.Paulo O ambiente é caseiro. Do velho fogão da cozinha vem o cheiro de bolinhos fritos. Crianças e adolescentes conversam, enquanto colam, desenham ou talham caixas de madeira. Embora [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=42&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Esta matéria saiu na Folha de SP, no ano de 2003, e é bem inspiradora</em>.</p>
<p> <strong>28/01/2003 &#8211; 02h52</strong></p>
<p><strong>PAULO DE CAMARGO</strong><br />
free-lance para a <strong>Folha de S.Paulo</strong></p>
<p>O ambiente é caseiro. Do velho fogão da cozinha vem o cheiro de bolinhos fritos. Crianças e adolescentes conversam, enquanto colam, desenham ou talham caixas de madeira. Embora de suas mãos saia artesanato, não estão ali para aprender ou produzir nada. Apenas experimentam estabilidade, confiança e outros sentimentos associados ao colo materno.</p>
<p>&#8220;Não somos uma escola, só queremos fortalecer emocionalmente essas crianças&#8221;, explica Eliana França Leme, idealizadora dessa proposta simples e diferenciada de assistência social, que dá colo hoje para 60 meninos e meninas com idades entre 8 e 16 anos. Todos vêm de famílias desestruturadas, marcadas pela pobreza extrema e pela violência do local onde vivem: o Jardim Paranapanema, uma das favelas mais perigosas de Campinas (SP).</p>
<p>O oásis de conforto criado por essa psicóloga funciona vizinho à favela, sediado em um pequeno grupo de casas às margens do lago de um parque ecológico. Chama-se Projeto Quero-Quero. O nome, emprestado da ave que vive na área, encaixou-se com perfeição à filosofia do trabalho desenvolvido ali. Quero-queros andam aos casais, estão sempre vigilantes e protegem valentemente seus ninhos. E ninho é uma palavra-chave para explicar a visão de Eliana Leme.</p>
<p>O ambiente acolhedor, oferecido sem precondições, cobranças ou intenções corretivas, é um dos pilares nos quais a psicóloga firmou seu projeto. A instituição, que funciona discretamente desde 1998, consome poucos recursos e tornou-se um exemplo de trabalho voltado a crianças e adolescentes carentes.</p>
<p>Carentes, não. Pobres, corrige Eliana. &#8220;Dizer que são carentes é um eufemismo, soa falso.&#8221; Ela conhece o problema na prática e na teoria. Envolveu-se em ações sociais muito antes da popularização do trabalho voluntário no Brasil. Estuda a miséria com afinco: um dos seus livros de cabeceira é &#8220;A Origem da Pobreza das Massas&#8221;, do economista norte-americano John Kenneth Galbraith.</p>
<p>Filha de uma pesquisadora sanitarista que trabalhava com tuberculosos, Eliana Leme trouxe do berço esse seu &#8220;incômodo&#8221; com as desigualdades. &#8220;Minha mãe tinha consciência social forte, sempre dizia que não existe felicidade individual, mas sim bem-estar coletivo&#8221;, lembra.</p>
<p> </p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="245" align="left">
<tbody>
<tr>
<td>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="235">
<tbody>
<tr>
<td>
<p align="right"> </p>
</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Raio-X:</strong><strong>Nome: </strong>Eliana França Leme<br />
<strong>Profissão: </strong>psicóloga<br />
<strong>Atuação: </strong>trabalho voluntário com crianças e adolescentes<br />
<strong>Idade: </strong>58 anos<br />
<strong>Estado civil: </strong>casada<br />
<strong>Filhos: </strong>tem três, com 35, 34 e 31 anos<br />
<strong>Livro: </strong>&#8220;O Amor nos Tempos do Cólera&#8221; (Gabriel García Márquez)<br />
<strong>Filme: </strong>&#8220;A Festa de Babete&#8221;(Dinamarca, 1987, dirigido por Gabriel Axel)<br />
<strong>Hobbies: </strong>patchwork e escultura em argila</td>
</tr>
<tr>
<td> </td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> </td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>Outra influência importante na sua formação foi madre Cristina (1916-1997), pioneira da psicologia e fundadora do Instituto Sedes Sapientiae. &#8220;Tenho orgulho de ter pertencido à primeira turma do curso de psicologia em São Paulo&#8221;, diz ela, que ingressou na então faculdade Sedes Sapientiae em meados dos anos 60, interrompeu os estudos para ter filhos e depois diplomou-se pela PUC de São Paulo.</p>
<p>No início dos anos 80, com três filhos pequenos e alguma experiência de consultório, Eliana vivia, como ela mesmo descreve, confortavelmente numa casa de campo na Granja Viana, em Cotia, região metropolitana de São Paulo. &#8220;Tinha tudo para ser feliz, mas eu me sentia muito mal ao ver aquele cinturão de miséria&#8221;, conta.</p>
<p>Foi então que iniciou naquela região uma ação com garotos carregadores de feira. A iniciativa, que hoje ela classifica de &#8220;artesanal&#8221;, tinha a preocupação de oferecer àquelas crianças uma outra fonte de renda. Para isso, a psicóloga ensinava ao grupo técnicas de tapeçaria e, ao mesmo tempo, conversava, contava histórias e orientava brincadeiras. Os resultados atraíram a atenção de uma empresa, que passou a contratar os serviços de tapeçaria dos meninos e meninas. Esses, por sua vez, passaram a envolver suas famílias na nova atividade.</p>
<p>Eliana Leme trabalhou com esse grupo de meninos até 1985, quando deixou São Paulo, acompanhando o marido, o engenheiro Ricardo Augusto Leme França, que fora convidado a trabalhar em Campinas. Lá, Eliana fez cursos na Unicamp e voltou a clinicar, atividade que exerceu até o final da década de 90, quando começou seus primeiros esboços para a formação do Quero-Quero.</p>
<p>Primeiramente, ela discutiu com colegas (alguns, futuros voluntários) a base teórica do trabalho e desenhou a instituição. &#8220;Sabia que, se não partisse de um diagnóstico e de um plano de ação, não chegaria a lugar nenhum&#8221;, conta. Uma das maiores referências para o trabalho foi a obra do pediatra e psicanalista inglês Donald Woods Winnicott (1896-1971). Estudioso das relações entre mãe e filho, Winnicott trabalhou com crianças em estado de privação, que perderam os pais durante a Segunda Guerra. A partir dessa experiência, o psicólogo inglês mostrou a importância do ambiente para a retomada do desenvolvimento infantil, especialmente em circunstâncias de trauma. Um dos conceitos que desenvolveu, nesse sentido, foi o de &#8220;holding&#8221;, traduzido por Eliana Leme como &#8220;continência&#8221;, a idéia de estar envolvido, pertencer. &#8220;As crianças chegam aqui com suas dores e ansiedades e sentem que algo as ampara&#8221;, diz.</p>
<p>Outro conceito caro à psicóloga, também ligado ao legado de Winnicott, é o de &#8220;maternagem&#8221;: compreende a recriação de um espaço com as qualidades do ambiente materno. Entre essas qualidades estão a continuidade, a confiança, o cuidado, a afetividade e a adaptação às necessidades da criança, que estão sempre mudando. &#8220;Para esse autor, esse ambiente suficientemente bom é, por si só, uma ação terapêutica&#8221;, ensina Eliana Leme.</p>
<p>Estruturado a partir desses princípios, o projeto começou com quatro crianças e muitas dificuldades. &#8220;Era muito difícil até envolver num abraço aquelas crianças agressivas, que resistiam ao toque, subnutridas e em péssimas condições de higiene&#8221;, conta a presidente do Quero-Quero. &#8220;Aprendemos que tínhamos de abraçá-las da forma como nos chegavam, aquilo era o mais importante.&#8221;</p>
<p>Alguns voluntários não conseguiram adaptar a teoria à realidade. Essas primeiras &#8220;baixas&#8221; mostraram que o principal, na hora de aceitar voluntários para o projeto, era garantir o compromisso com o grupo, já que a cada falta ou desistência recrudescia nos meninos o sentimento de recusa. &#8220;Eles diziam que os voluntários ausentes os estavam abandonando&#8221;, conta a psicóloga.</p>
<p>O Quero-Quero acaba de reunir as autorizações legais para se tornar uma organização não-governamental. Até hoje, sobreviveu basicamente de doações em espécie, feitas por empresas e pessoas que enviam pacotes de alimentos, material para pequenas reformas, móveis, livros etc. Sua fundadora, agora, está se afastando da presidência para livrar-se de questões operacionais, ganhar tempo e buscar apoio institucional para o projeto.</p>
<p>O &#8220;ninho&#8221; instalado em Campinas recebe crianças em dois períodos. O grupo da manhã toma café às 8h, desenvolve atividades com os voluntários, aproveita o tempo livre em brincadeiras, almoça e volta para a escola ou para casa às 11h30. O grupo da tarde almoça às 14h, segue a mesma rotina do anterior, lancha e se despede às 17h30. As atividades desenvolvidas têm caráter lúdico e são tão diversificadas quanto as competências dos 30 voluntários e das empresas parceiras: artes, teatro, capoeira, futebol e sapateado fazem parte do programa.</p>
<p>O projeto não tem o objetivo de desenvolver diretamente conhecimentos ou habilidades. Não há suporte para quem tem dificuldade na escola, por exemplo. &#8220;Queremos que as crianças brinquem, que se sintam seguras, estimuladas, encorajadas, para que então possam melhorar na escola, em casa, onde for. Se uma criança não sabe ler, não pedimos a ela que leia, não a colocamos em situações de exposição&#8221;, afirma a psicóloga.</p>
<p>Os voluntários, entretanto, buscam o desenvolvimento paulatino de habilidades que favoreçam o relacionamento humano. Sempre de forma lúdica, procuram estimular a leitura e o raciocínio matemático.</p>
<p>Tamanha preocupação em não constranger as crianças já provocou dúvidas sobre a capacidade do Quero-Quero de fixar limites aos assistidos. A psicóloga afirma que o seu projeto enfrenta essa questão, sim, mas em coerência com o conceito da &#8220;maternagem&#8221;, ou seja: levando em conta as características do comportamento de cada criança. Mais do que o reduzido grau de problemas disciplinares, um dos principais indicadores do acerto dessa estratégia é, segundo Eliana, a progressiva melhoria na qualidade do relacionamento das famílias.</p>
<p>Desde o início, Eliana e alguns dos voluntários procuraram ter uma presença ativa também na casa das crianças e dos adolescentes, conhecendo seus pais, dando sugestões e oferecendo apoio. &#8220;Passei a conhecer todas as vielas da favela, circulava por lá com naturalidade&#8221;, diz.</p>
<p>Um dos assuntos mais doloridos para ela é a queda-de-braço com o tráfico. &#8220;Perdi um ou dois meninos para o tráfico&#8221;, diz, desolada. Lembra-se particularmente de um adolescente descrito como muito inteligente, que passava temporadas no Quero-Quero, mas vivia assediado por traficantes. Uma vez, Eliana chegou a entrar em uma roda de traficantes para levar o garoto embora, arrastado pelo braço. Hoje, está preso. &#8220;Ele tentou muito, mas a atração do tráfico foi mais forte.&#8221;</p>
<p>Eliana não vai mais ao Jardim Paranapanema. Ameaçada de morte por agentes do comércio ilegal de drogas, a psicóloga agora conversa com as famílias por telefone ou em bazares que ajuda as mães a organizar. Mas acompanha de perto os progressos no relacionamento familiar dos atendidos. &#8220;As crianças reaprendem a querer, a avançar, e estimulam também seus pais. A mudança se reflete na diminuição da violência doméstica, na melhoria da qualidade da habitação e na procura por trabalho e escolas. Não tenho dúvida de que a nova situação emocional das crianças contribui para isso.&#8221;</p>
<p>Para a criadora do Quero-Quero, essa é &#8220;pedagogia do desejo&#8221;, uma expressão utilizada por César Della Rocca, do Projeto Axé. &#8220;Já se falou demais de pedagogia do oprimido. As crianças precisam saber que podem querer e vencer&#8221;, diz.</p>
<p>No tempo livre, Eliana costura belos trabalhos em patchwork. Seu &#8220;caso&#8221; com os retalhos vem de quando era pequena e via o avô, alfaiate, trabalhando com amor. &#8220;Virou um vício&#8221;, diz. A técnica de juntar restos compondo um tecido novo, alegre e harmonioso, segundo ela, tem &#8220;tudo a ver&#8221; com o Quero-Quero.</p>
<p>Na sede do projeto, tocos e tábuas viraram bancos e mesas, vasos quebrados tornaram-se floreiras e todos os objetos são brinquedos. O que mais se oferece ali é tão simples que não tem preço, segundo a psicóloga: &#8220;O que temos aqui é um colo materno&#8221;.</p>
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		<title>&#8220;Sonhos do avesso&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 03:02:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ded</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[contemporâneo]]></category>
		<category><![CDATA[culpa]]></category>
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		<description><![CDATA[    Este artigo é de autoria da psicanalista Maria Rita Kehl. Foi publicado no Caderno Mais!, da Folha de SP (edição de hoje). Achei o texto excelente e pertinente &#8211; fala das modalidades contemporâneas do sofrimento, do ponto de vista da psicanálise à francesa. Reproduzo-o em seguida.     SONHOS DO AVESSO Maria Rita Kehl [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cuidadopsicossocial.wordpress.com&amp;blog=9156149&amp;post=37&amp;subd=cuidadopsicossocial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> </em></p>
<p style="text-align:center;"><em> </em></p>
<p><em>Este artigo é de autoria da psicanalista </em>Maria Rita Kehl. <em>Foi publicado no Caderno Mais!, da Folha de SP (edição de hoje). Achei o texto excelente e pertinente &#8211; fala das modalidades contemporâneas do sofrimento, do ponto de vista da psicanálise à francesa. Reproduzo-o em seguida. </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>SONHOS DO AVESSO</strong><br />
Maria Rita Kehl</p>
<p>Dizem que Karl Marx descobriu o inconsciente três décadas antes de Freud. Se a afirmação não é rigorosamente exata, não deixa de fazer sentido desde que Marx, no capítulo de “O Capital” sobre o fetiche da mercadoria, estabeleceu dois parâmetros conceituais imprescindíveis para explicar a transformação que o capitalismo produziu na subjetividade.</p>
<p>São eles os conceitos de fetichismo e alienação, ambos tributários da descoberta da mais-valia -ou do inconsciente, como queiram. A rigor, não há grande diferença entre o emprego dessas duas palavras na psicanálise e no materialismo histórico. Em Freud, o fetiche organiza a gestão perversa do desejo sexual e, de forma menos evidente, de todo o desejo humano; já a alienação não passa de efeito da divisão do sujeito, ou seja, da existência do inconsciente. Em Marx, o fetiche da mercadoria, fruto da expropriação alienada do trabalho, tem um papel decisivo na produção “inconsciente” da mais-valia. O sujeito das duas teorias é um só: aquele que sofre e se indaga sobre a origem inconsciente de seus sintomas é o mesmo que desconhece, por efeito dessa mesma inconsciência, que o poder encantatório das mercadorias é condição não de sua riqueza, mas de sua miséria material e espiritual.</p>
<p>Se a sociedade em que vivemos se diz “de mercado” é porque a mercadoria é o grande organizador do laço social.</p>
<p>Não seria necessário recorrer a Marx e Freud para defender o caráter político das formações do inconsciente. Bastaria citar a frase “o inconsciente é a política”, proferida por Lacan, que convocou os psicanalistas a se empenharem por “alcançar em seu horizonte a subjetividade de sua época”. Mas insisto em recorrer aos clássicos para lembrar aos lacanianos extremados que a verdade não nasceu por geração espontânea da cabeça de Lacan.</p>
<p><strong>Crise do sujeito</strong></p>
<p>Se Freud fundou a psicanálise ao vislumbrar, no horizonte de sua época, as razões da insatisfação histérica, é nossa vez de tentar escutar o que mudou desde então, à medida que a norma produtiva/repressiva foi sendo substituída pela norma do gozo e do consumo.</p>
<p>Alguns sintomas, na atualidade, têm se tornado mais frequentes e mais incômodos do que as formas consagradas das neuroses e das psicoses no século passado. Hoje as drogadições, os transtornos alimentares, os quadros delinquenciais e as depressões graves desafiam os analistas a repensar a subjetividade. Isso não implica necessariamente que as antigas estruturas clínicas tenham se tornado obsoletas.</p>
<p>O que encontramos hoje nos consultórios psicanalíticos é um novo sujeito? Ou são novas expressões sintomáticas que buscam responder ao velho conflito entre as pulsões e o supereu -este representante das interdições e das moções de gozo, no psiquismo? O sujeito contemporâneo está mais próximo do perverso, que sabe driblar a falta pelo uso do fetiche? Ou é ainda o neurótico comum que, em vez de tentar seguir à risca a norma repressiva, tenta obedecer a um mestre fetichista que lhe ordena a transgredir e gozar além da medida?</p>
<p>Por enquanto, tenho escutado, em média, neuróticos mais ou menos estruturados tentando corresponder à suposta normalidade vigente, a qual -esta sim- já não é mais a mesma nem do tempo de Freud, nem do de Lacan.</p>
<p>A “crise do sujeito”, outra face da chamada “crise da referência paterna”, corresponde, a meu ver, ao deslocamento e à pulverização das referências que sustentavam, até meados do século passado, a transmissão da lei. Não se trata da ausência da lei na atualidade, mas da fragilidade das formações imaginárias que davam sentido e consistência à interdição do incesto -a qual, desde Freud, é considerada condição universal de inclusão dos sujeitos na chamada vida civilizada, seja ela qual for.</p>
<p>Se o homem contemporâneo sofre do que [o psicanalista francês] Charles Melman chamou de falta de um centro de gravidade, é porque as referências tradicionais -Deus, pátria, família, trabalho, pai- pulverizaram-se em milhares de referências optativas, para uso privado do freguês.</p>
<p><strong>Culpa e frustração</strong></p>
<p>O “self-made man” dos primórdios do capitalismo deixou de ser o trabalhador esforçado e econômico para se tornar o gestor de seu próprio “perfil do consumidor” a partir de modelos em oferta no mercado. Cada um tem o direito e o dever de compor a seu gosto um campo próprio de referências, de estilo, de ideais. Aparentemente, não devemos mais nada ao pai e ao grupo social a que pertencemos, dos quais imaginamos prescindir para saber quem somos.</p>
<p>Este aparente apagamento da dívida simbólica não nos tornou menos culpados; ao contrário: hoje escutamos pessoas que se dizem culpadas de tudo. Não citarei, em hipótese alguma, falas dos que se analisam comigo: daí o caráter ligeiramente caricato dos exemplos que se seguem, como expressões genéricas da transformação que o mercado produziu nos discursos.</p>
<p>A antiga donzela angustiada com as manifestações involuntárias de sua sexualidade reprimida -lembrem-se de que Freud relacionou o tabu da virgindade e a moral sexual entre as causas do mal-estar, no início do século 20- hoje se sente culpada por não usufruir tanto do sexo, das drogas e do “rock and funk” quanto deveria. O obsessivo escrupuloso, acossado por fantasias perversas, agora se queixa de seu bom comportamento: queria ser um predador sem escrúpulos, eliminar os rivais, abusar sem pudor das mulheres.</p>
<p>As pessoas vivem culpadas por não conseguirem gozar tanto quanto lhes é exigido. Culpadas por não alcançar o sucesso e a popularidade instantâneos, por perderem tempo em sessões de análise -culpados por sofrer. O sofrimento não tem mais o prestígio que lhe conferia o cristianismo. Sofrer não redime a dívida; ao contrário, reduplica os juros.</p>
<p>Sem recurso à referência a autoridades repressivas que faziam obstáculo aos prazeres, as pessoas têm dificuldades em justificar seus sintomas. Não encontram a quem endereçar suas queixas ou apoiar seus ideais.</p>
<p>“Meus pais são amigos, meus professores são legais, ninguém me impõe ou me impede nada: eu sou um otário porque não consigo ser feliz”. O sentimento de culpa, como escreve [o sociólogo francês Alain] Ehrenberg, tomou a forma de sentimento de insuficiência. Assim, a resposta à dor psíquica não é buscada pela via da palavra, mas pelo consumo abusivo dos psicofármacos que prometem adicionar a substância faltante ao psiquismo deficitário. O remédio age em lugar do sujeito, que não se vê responsável por seu desejo e por suas escolhas.</p>
<p>Não se concebe a vida como um percurso de risco que inclui altos e baixos, incertezas, acertos, dúvida, sorte, acaso. A vida é um empreendimento cujos resultados devem ser garantidos desde os primeiros anos -daí o surgimento de uma geração de crianças de agenda cheia de atividades preparatórias para a futura competição por uma vaga promissora no mercado de trabalho.</p>
<p>Não por acaso, essas mesmas crianças estarão mais predispostas à depressão na adolescência, esvaziadas de imaginação, de vida interior, de capacidade criativa. O universo amoroso ou familiar que substitui o espaço público como gerador de valores está totalmente atravessado pela linguagem da eficiência comercial. “Quem vai olhar para um modelo fora de linha como eu?” “Como promover a otimização de meus finais de semana?” “Fiz as contas: com o que gastei na análise de meu filho já poderia ter trocado de carro duas vezes” (nesse caso, o analista sente-se tentado a sugerir que, de fato, ficaria mais em conta trocar de filho).</p>
<p>Vale ainda mencionar o estranho silêncio, nos consultórios dos analistas, em torno do eterno mistério do desejo e da diferença sexual. A falta de objeto que caracteriza a atração erótica parece ter sido ofuscada pela onipresença de imagens sexuais nos outdoors, na televisão, nas lojas, nas revistas -por onde olhe, o sujeito se depara com o sexual desvelado que se oferece e o convida.</p>
<p>As fantasias sexuais são todas prêt-à-porter. Seria ok, se o suposto desvelamento do mistério não produzisse sintomas paradoxais. O tédio, em primeiro lugar, entre jovens que se esforçam desde cedo para dar mostras de grande eficiência e voracidade sexuais. As intervenções cirúrgicas no corpo, de consequências por vezes bizarras, em rapazes e moças que pensam que a imagem corporal perfeita seja a solução para o mistério que mobiliza o desejo.</p>
<p>A reificação do sujeito identificado como mais uma mercadoria se revela no medo generalizado de não agradar. O mistério do desejo persiste, assim como não deixa de existir o inconsciente: mas é como se suas manifestações não interrogassem mais os sujeitos.</p>
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